Voltando de Cabo Frio, onde fui em missão voluntária — Hanna, além de bobona, é solidária — estacionei e ouvi um som de violão vindo de um quiosque nas franjas da areia de Copacabana. Não resisti e atravessei a rua, na expectativa de relaxar da semana inteira naquela música e no chope cremoso do Champanheria. Sentei em uma mesa que lembrava samba de Jacob do Bandolim. Foi sem querer; era a que tinha. E pra complicar, o músico deu um tempo — intervalo de praxe. Fiquei olhando o futebol que sempre rola na areia até que a bola veio. Parou pertinho de mim. E atrás dela, um moleque. Eu disse ao garoto: "reza a lenda que a bola procura o pé do atleta". E ele se sentiu o próprio. Não tive coragem de dizer que o atleta, em verdade, não estava ali. Já tinha estado e a bola veio, mas não estava mais ali. História sem graça pra garoto e bola. Virei o pensamento e ele , sentindo-se o atleta da frase dita, fez malabarismos e deu um tiro forte. A bola atravessou a areia e sumiu na escuridão perto do mar. Pensei por pura graça: "vai ver que está ainda procurando o pé do atleta...rsrsr". A molecada que jogava com ele, logicamente, chiou. Resolvi descolar o pensamento da bola e deslembrar do atleta. Ajeitei a cadeira e dei às costas para a areia e para aquele imenso mar com um pequeno colar de luzes lá no fim. Voltei para o violão solitário que tocava uma música que não sei bem de quem, mas que dizia algo assim: "...que você ganhe dinheiro e que pelo menos uma vez diga a ele quem é dono de quem.//Procuro um amor que seja bom pra mim.//Vou procurar até o fim e eu vou tratá-la bem// pra que ela não tenha medo, quando começar a descobrir os meus segredos.
Sei que poderia pesquisar no Google e saber de quem é a música, dar detalhes e tal... Mas não quero fazer isso. Até porque a história, me dou conta agora, é outra!!!! É uma história que não fala exatamente de bola, de areia, de atletas; fala de liberdade! É uma história que fala de desapego, desprendimento. Uma história que fala de sinceridade e poesia. Da vida que é tão fugaz. Por isso a liberdade é fundamental. Para que não se perca nem uma gota do elixir do sentimento, que é o bálsamo da alma, que nos faz verdadeiramente humanos. Não desperdiço o que sinto; sorvo até o final e às vezes ainda me esforço para, além do final, um certo prolongamento. E isso é apenas porque sou livre. Liberdade é ter coragem, inclusive de se expor, de se despir, de se depor. De andar por aí como quem não tem mesmo amarras e nem cordões. E também é por isso que escrevo; porque sou livre.
E segue o barquinho... porque adoro as marinas da orla de Cabo Frio .
Boa semana a todos. E não esqueçam de dizer aos seus dinheiros — aproveitando a deixa da música — quem é dono de quem.
Como de sempre, amor!!!!!
Hanna Baiana!!!
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Mas vejam que bonitinho esse versinho minimalista daquele blog que indiquei:
Rosa Pena
Hanna Baiana!!!
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Mas vejam que bonitinho esse versinho minimalista daquele blog que indiquei:
Rosa Pena
Saudade e solidão
Coloridas com a mesma tinta
Distintas só pelas sombras
Que uma na outra pinta.
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Lindo, né?
Beijos.***
Lindo, né?
