H.
Sobretudo, coisas relevantes. E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante. Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII
17 abril 2009
Eu estava escrevendo uma história baseada no mapa astral do personagem principal. Mas de repente o mapa sumiu. Não sei onde foi parar. A história parou. Não sei como continuar, mas pode ser que dia desses eu resolva inventar um novo enredo; completar por minha conta e risco. Histórias são assim: elas começam e depois a gente inventa o final que vamos contar pra todo mundo. As histórias inventadas são sempre melhores do que as histórias reais. Um dia eu conto, prometo.
"A minha próxima vida", de Wood Allen
Na minha próxima vida quero vivê-la de trás pra frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a aposentadoria e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar por 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo, e depois estar pronto para o secundário e para o primário, antes de virar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí viro um bebê inocente até nascer. Por fim, passo 9 meses flutuando num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quarto a disposição e espaço maior dia a dia, e depois - Voilà! - desapareço num orgasmo. Bonitinho, né? A cara do Wood Allen...rsrsr. Obrigada pela colaboração, Max!
Confidências botafoguenses de Hanna
Pensei que jamais falaria desse assunto - muito menos em primeira pessoa. Mas acabou sendo quase que uma história pronta, da forma como o final do enredo acabou se apresentando. Vinha eu de minhas altas conjunturas - sim, porque não é pelo fato de eu ser uma Hanna chorona, bobona, banana que não tenho credenciais simbólicas que me autorizem a transitar elegantemente neste mundo de meu Deus. Mas voltando ao tema: vinha eu em final de quinta-feira, direto para casa, quando ao passar na porta do Pavão Azul, pé sujo de estirpe, resolvi parar numa espécie de pit stop para relaxar o resto da noite. Primero chope no capricho, pastel de camarão como convém, e começou o jogo do Botafogo que eu nem sabia que iria ocorrer. E aí eu fiquei. Obviamente que não vou narrar o jogo pra vocês. Até porque não sei sequer o nome dos caras, embora garanta que poderia diferenciá-los pelas pernas. Mas o jogo foi apenas pano de fundo para reminiscências às quais vocês já sabem a que sou dada. Foi na conquista do título do último campeonato carioca, pelo Botafogo, que me despedi de uma das minhas várias encarnações; aliás, aquela que durou quase que uma encarnação inteira. Acho que foi exatamente ali que me apaixonei pelo escudo alvinegro. Talvez tenha sido apenas porque não sei viver sem paixão, mas o fato é que depois desse dia, sozinha - ou livre, como queiram - eu não mais consegui me descolar das atividades deste time de futebol. E estava lá eu pensando nisso, olhando a movimentação em campo pela Sport TV, quando me dei conta de que sou botafoguense quase doente, daquelas que sofrem na derrota e querem comemorar todas a vitórias. Terminado o jogo, naquele vexame ridículo de pênaltis onde provamos não ter goleiro, fiquei novamente pensando na possibilidade de ir a Maracanã no domingo ver a decisão entre Botafogo e Flamengo. Quem sabe aí reinauguro uma outra encarnação onde o Fogão será novamente campeão. Marcos históricos, para quem acredita que a vida é feita de intervalos. Boa noite, ilustres botafoguenses. A vocês, as horas de sono que dediquei a este texto sem inspiração, mas cheio de boas intenções. E com não pode faltar, amor.
Hanna
15 abril 2009
Filosofia de internet
Não trate como preferência quem te trata como opção...
É, pode ser...rsrsrsr.
H.
É, pode ser...rsrsrsr.
H.
Arquivo geral!!! Preciosidade!! Torquato Neto
Jards Macalé e Paulo José intepretam Torquato Neto, aquele que ficou de saco cheio, mandou parar o mundo e desceu. Mas teve a delicadeza de dizer "Adeus", entre outras generosidades. Vejam essa!!!!
Historieta para redecorar caquinhos
Ei, menina! Ei!!! Olha pra cá! O que está fazendo aí sozinha? Ah, não chora.... O que houve? Onde está sua mãe? Hã? Fale alto! Não estou escutando! Venha cá...me dê a mão. Vou te levar para a sua casa. Me mostre onde é. O quê? Nossa... Tá bom. Vem comigo; eu te ajudo. Tudo vai ficar bem.Chora não...
H.
14 abril 2009
13 abril 2009
Aforismos de Hanna
Há coisas na vida que só foram boas porque não duraram tempo suficiente para serem ruins. No fundo, é disso que é feita a saudade...
Hanna Banana
Hanna Banana
12 abril 2009
A realidade como discurso
O jornalismo de elite tomou uma calça arriada com a decisão "inusitada" do jogador Adriano de deixar o que o Globo chamou de giardino dei Finzi-Contini* do futebol italiano - para quem será que essa galera pensa que está falando? Pois bem: as notícias não estão acostumadas a serem contrariadas. Como falar de um ídolo que fura a maior bola cheia de sua vida? Como explicar para o estimado leitor? Sim, porque o jornalismo na terra de Adriano não se contenta em narrar os fatos; tem que explicar a história, dar-lhe razoabilidade dentro dos padrões da moral e da estética das classes hegemônicas. Difícil explicar que um seja-lá-quem-for troque a fama pela perspectiva, mesmo que incerta, de ser feliz. Mas como tem jornalista para tudo, a "página móvel" do jornal categorizou logo a notícia: O banzo de Adriano. Não se preocupem com a expressão "banzo". Os jornalistas explicam logo nas primeiras linhas do texto o que é banzo - entendem que os leitores não sabem o que é banzo, ao contrário da história do giardino, que acham que não precisa de explicação. Banzo, segundo contam, era a saudade letal da terra mãe África que acometia os escravos. Muitos morriam de inanição, outros de suicídio. Um discurso que retoma a dor dos negros, escravos e desvalidos. Teria isso algum ponto de comparação com a saga de Adriano? Para além do hoje, talvez sim. Um negro que guarda em sua memória histórica a dor de todos os degredados da África. Mas o que fez com que o jornalista sacasse essa comparação, ao invés de outra qualquer? Talvez sua memória histórica, que está do outro lado do continente africano e de onde jamais tivera que sentir saudade. Vê-se aí de que lado da história o jornalista observa os fatos. Mas como explicar, meu senhor! Sim, porque, repito, jornalismo por essas bandas tem mania de entregar o prato feito. Como explicar uma história como essa? No caderno de Esportes o cara já não cabe! Vai pra tal da página móvel, onde jornalismo pode até ser ensaio poético - e haja ensaio! E lá pegaram tudo o que tecnicamente poderia compor a notícia - infância trágica, favela, subúrbio, pobreza, drogas, alcoolismo, sexo compulsivo, e por aí vai. Um jornalista apenas não seria suficiente para explicar tanta desnotícia. Tem lá o outro, naquela coisa técnica de oferecer o contraditório, até quando os próprios fatos enredam sua contradição. E o poético jornalista, depois de sacar até uma ultrapassada AR-15 e todo o "clã" de traficantes mortos da Zona da Leopoldina, mandou essa: "Bonsucesso Blues: o suburbano coração bate mais forte, seguro, confiante nos locais onde não precisa marcar gol para ser rei". Apequenou com bela frase o Adriano ídolo, o Adriano que cagou pra fama. É mesmo muito difícil falar diferente daquilo que somos; dar espaço ao outro possível. A realidade de Adriano já começa a virar apenas uma versão - versão que sai de um lugar que não fala a mesma língua dos degredados da África, ou dos reféns das favelas da cidade, e que no máximo considera a possibilidade de proteção que oferecem os jardins dos Contini. A versão dos vencedores, se me permitem a acidez da referência. Versão daqueles que explicam que a boa realidade é aquela construída do lado aprazível de um túnel que nunca conseguiu unir a cidade, que nunca conseguiu deixar o outro lado fazer sentido. Estão aí as notícias de jornal para lhes guiar a vida, a compreensão, o sentido, o nexo, caros leitores. Daqui em diante, Adriano corre o risco de acabar virando assunto da Editoria Geral - lá onde os jornalistas da página móvel foram buscar o passado inglório para o qual acreditam que o jogador está voltando, depois de sair do conforto dos jardins alheios. Vejam só com quantas retóricas sorrateiras se destitui um ídolo que teve a ousadia de querer escrever a própria história e acabou derrubando a porra da notícia.Salve, Adriano!
Hanna.
Hanna.
* Explicando os giardino, do jornalista da página móvel:
É um filme de Vittorio de Sica, de 1970, sobre os Finzi-Contini, uma das importantes famílias da Itália. São aristocratas, ricos e judeus. Os filhos mais velhos - a bela Micol e o refinado Alberto - sempre reúnem os amigos para disputadas partidas de tênis, além de promover festas muito alegres. Mas eis que os italianos fascistas se aliam aos alemães nazistas, dando início à perseguição dos judeus. Os ricos Finzi-Contini irão abrir os portões de sua mansão para abrigar os amigos perseguidos.
Entenderam agora o que o jornalista móvel quis dizer?
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