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23 novembro 2008

Águas de um rio chamado desejo de voltar

E esse rio largo, longo...
Aonde vai?

Sai daqui do Norte e se derrama em direção ao Sul.
Pra onde vai esse rio?

Onde vai parar? Onde vai dar?
O que deseja encontrar?

Nada demais...
Apenas o mar.

Se eu entrasse nesse rio,
Com certeza chegava lá.

Foto: Durval de Souza

21 novembro 2008

Anjos, anjos... e uma pena que voou.

Eu vi. Alguém faz as asas dos anjos, antes que eles cheguem para usar. As penas alvas são coladas uma a uma, e depois que estão todas arrumadinhas são postas a secar. Demoram dois meses para ficar direitinho e não soltar quando os anjos apressados saem esvoaçando vida a fora. As menorezinhas, que ficam bem abaixo do fim de cada lado, são fininhas, tenras, suaves e sempre acabam se soltando, rindo e indo embora com o vento. Elas são feitas de fantasia. Por onde passam desafiam os sonhos e a imaginação - criam enredo, fazem história, enlaçam os inexistentes possíveis e os impossíveis desaforados. Desaforo... essa palavra vem do latim e quer dizer lugar onde se tratam de interesses públicos - fórum! Mas as penas leves só são penas perdidas; não são penas impostas e nem perdição. São penas das asas dos anjos não têm fórum, não habitam os templos e tribunais. Elas apenas riem com as cócegas do vento e a fé dos tolos. Os anjos que perdem as asas são desprovidos de foro, não têm onde defender o que por si é desprovido de culpa - indefensáveis, desaforados os anjos. Mas eu sei... eu vi aquelas mãos enrugadas e finas a tecer as asas, as estender ao sol e insistentemente avisar aos anjos: tem que deixar dois meses a secar.

19 novembro 2008

14 novembro 2008

09 novembro 2008

Poemeu...

O amor é um rio manso que inventa seus caminhos mesmo contra a vontade da terra.
Joseti Marques

22 outubro 2008

Não posso acreditar!!!!

Noooossa!!! Fui conferir a estatística deste modesto e humilde blog que tem sido relegado à última das minhas prioridades e vi que meus amados leitores continuam acreditando que vou manter um mínimo de periodicidade. Desde que postei o último texto até agora, duzentas e duas pessoas acessaram a página. Pode ser apenas uma pessoa, como podem ser 202; podem ser apenas duas, podem ser apenas 3,4,5,9,10. A minha carência é que elabora em torno da questão de quantos e quem. Mas somando tudo e temperando com a minha tendência ao otimismo, eu me sinto afagada, amada, acarinhada, aconchegada, xexelenta (seria com x?), antipática, metida e nojenta... mas querida, muito querida...e se bobear, extremamente amada.
Seja apenas um, como sejam apenas alguns, e ainda muitos, a todos e todas o meu amor. Aliás, como de sempre.

Nao...infelizmente, não

Acho que, em ato falho, produzi uma certa ambiguidade no texto que postei logo abaixo. Pessoas queridas - do Rio e de New Jersey, na verdade apenas duas - acharam que eu tinha decidido voltar pro Rio de Janeiro. Então esclareço: nunca saí do meu Rio de Janeiro. Vou para onde for por circunstâncias as mais diversas, mas pro Rio eu volto sempre, sem sombra de dúvidas. Mas só volto na hora certa, trabalho encerrado, tarefa cumprida. Ainda não acabou, mas estou me apressando. Só que, depois, me espera o Acre, aonde vou com a mesma paixão que me trouxe ao Pará. Sou extremada nas minhas paixões. Mas por enquanto, de eterna, só mesmo a paixão pelo Rio de Janeiro e aquelas figurinhas carimbadas e lindas que ilustram a minha vida. Aos demais, meus beijos, afeto e carinho, porque a todos amo. Como de sempre.

16 outubro 2008

O problema é que estou morrendo de saudades!!!!!

Pois é.... Para quem anda sentindo falta de minhas bobagens, devo dizer que morro de saudades de tudo e de todos - das coisa mais banais às mais insignificantes. Dá pra ver que o nível de exigência está abaixo de zero, né? Mas é fato: morro de saudades daquele sol que sai à francesa e deixa um frio do cacete no ar; daquela praia que aquece e venta, que manda embora no fim da tarde, mas que te atura se quiseres ficar, se tiveres tomado cerveja demais... A concordância do verbo é apenas uma charme de quem se sente abraçado por outro lugar. Sempre me soou mal o "tu vai" do carioca. Mas agora também me soa estranho o "você vai", diante do "tu fostes" do paraense. Como a gente daqui fala bonito... e eles, na verdade, só falam certo. Mas são observações que apenas denunciam minha indecisão entre o rio e o mar - e que rio... mas que mar. É o ônus de ter nascido sob o signo de gêmeos. Valei-me o ascendente em aquário! Mas tristeza me perdoe... estou de malas prontas - como naquela música que ouvi em um amanhecer longíquo, vindo de uma rua do centro da cidade, entrando por uma janela velha de um tempo que já passou. Até porque, agora, estou a caminho do Rio... do meu Rio de Janeiro.