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31 julho 2008

Aforismos de rua

Personagens diversos desfilam diante da porta da padaria; somente quem está dentro pode ver.

Como é bom olhar a vida em sua completa entropia, sem a arrogância tola dos recortes.

Os carros passam, a vida passa.. e nós também passamos. Ainda bem!

Eu vou embora porque a vida chama.

26 julho 2008

Vou roubar os anéis de Saturno

O nome dos dias da semana, em português, têm origem na liturgia católica, diferentemente da maioria das outras línguas, que batizaram os dias em homenagem a deuses pagãos. O sábado, para os povos pagãos, era dedicado a Saturno. Em inglês escreve-se saturday - dia de Saturno.
Saturno equivale ao deus grego Cronos e matou o pai, Urano, com uma foice dada pela mãe, tomando o poder entre os deuses. Ele era um dos titãs, filho do Céu e da Terra, mas foi expulso do Olimpo pelo próprio filho, Júpiter, indo refugiar-se no Lácio. Lá ele ensinou aos homens a agricultura e fez reinar a paz e a abundância. Conta a lenda que lá ele também se casou constituindo uma nova família e se tornando um deus do bem. Os romanos atribuem a Saturno a origem de Roma e a criação de divindades como Hércules e Rômulo.
Para agradar a Saturno e continuar gozando de sua proteção, os romanos faziam uma espécie de feriadão uma vez por ano, por volta do solstício de inverno, quando aconteciam as festas chamadas saturnais, que duravam uma semana. Todos participavam em alegria e solidariedade para relembrar a época em que os homens viviam em paz, sem distinções sociais. Inúmeros banquetes eram servidos e os escravos, momentaneamente livres, eram servidos pelos senhores e podiam falar deles o que quisessem. Se é fato o que conta a lenda, a liberdade de expressão já gozava de prestígio junto aos deuses, mesmo que apenas por um período sabático.
E é claro que as festas acabavam sempre em grandes orgias. Sob o Império, a festa acabou, mas o sábado ficou como o dia consagrado a Saturno.
E a todos, os meus votos de um sábado de festa, alegria, liberdade, inclusive a de expressão, igualdade e abundância. Mas cuidado para não resvalar para a orgia. Se beber, não vá de biga....rssss.
Alegria, alegria, alegria!

23 julho 2008

Sabe aquela lua cheia, rodeada de estrelas,
radiante no meio do céu? Pois é linda, não é?

22 julho 2008

"Muitas pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas. Ame-as, mesmo assim. Se você tem sucesso em suas boas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos. Tenha sucesso, mesmo assim. O bem que você faz será esquecido amanhã. Faça o bem, mesmo assim. A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável. Seja honesto, mesmo assim. Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro. Construa, mesmo assim. Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar. Ajude-os, mesmo assim. Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar. Dê o que você tem de melhor, mesmo assim."
Madre Teresa de Calcutá

21 julho 2008

Finalmente, segunda-feira

Piadinha de segunda-feira: a produção da crença

São marcos — porque não poderiam ser marcelos...rsss — o que a humanidade arranjou para se dar sempre uma nova chance de recomeçar. O primeiro dia do ano... o primeiro ano ímpar... ano bissexto...o primeiro ano do novo século, do novo milênio. E por que não uma nova segunda-feira? Já que são apenas convenções, porque não inventar mais e nos dar mais chances a cada dia de fazer tudo diferente do que já provou ser projeto furado? Talvez por nossa leniência e preguiça, desperdiçamos a segunda-feira agregando a ela o discurso simbólico do trabalho. Mas a mim, que amo o trabalho, a segunda-feira só faz bem. Vem com cara de casa nova, onde a gente entra na sala vazia e começa a pensar como vai ser o lugar que vamos habitar — encher de nós mesmos e nossas tantas circunstâncias e circunstantes. Pois bem. Entrei na sala vazia, com as caixas entupidas de coisas que venho trazendo de outras casas e que às vezes transbordam nos sábados e domingos. Empacoto tudo em tambores de chumbo forte como se césio 147 fosse — verde luminoso, pó de pirlimpimpim, mas mortal como a peste! E igual acontece com nossas usinas nucleares, todo lixo passível de contaminação fica sem ter onde enterrar. Pego as tintas e pincéis com que ando enfeitando a realidade e faço nos tambores umas flores improvisadas , com jeito de arte moderníssima — pétalas de esquecimento, raízes de perdão, gravetos de alegria, sementes de amor, uma ou outra lágrima de orvalho aqui e ali. E ao final da tarefa enjoada, batuco neles um reagge para exorcizar. Everything is gonna be alright... E sigo em frente na nova segunda-feira onde tudo está por começar e a se fazer. Abro a janela da sala vazia e deixo o sol entrar — primeiro habitante de uma vida que acaba de nascer. E se chover, não tem problema: daqui a sete dias começo tudo outra vez.
E aos meus amados, uma semana de muita paz!

19 julho 2008

Geraldo Azevedo e Alceu...

"A vida é cigana... é pedra de gelo ao sol..."

Como eu gosto de Alceu Valença...

Um infortúnio na vida me despojou de todos os cds que eu tinha de Alceu e que eu amava tanto e ainda amo. Por ironia do destino, o infortúnio de outro me trouxe os cds de Alceu de volta. Não são meus; apenas os guardo e ouço e aproveito e gosto. Como a vida é lúdica, não?
"Na segunda manhã que te perdi, era tarde demais pra ser sozinho. Cruzei ruas, estradas e caminhos, como um carro corendo em contra-mão; pelo canto da boca um sussurro; fiz um canto demente... absurdo... Solidão..."
Não. É apropriação indébita. Não posso ficar com esses cds. E agora? Como faço? Pirateio e os devolvo? É... pode ser.