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17 fevereiro 2008

Da vida e de como decidimos o que ela é

A realidade de cada um de nós é um sistema engendrado por nossas ações — das mais simples às mais complexas; das mais oportunas às mais nefastas. Nós fazemos o que vivemos e assim, sem perceber, acabamos construindo o que somos; depois, o que somos acaba determinando o que fazemos...
As decisões nefastas nos fazem andar em círculos e nos afastam de qualquer possibilidade que nos leve ao que precisamos. Sim, a palavra é "precisar", porque a palavra "querer" supõe uma autonomia de vontade que os processos circulares não permitem. Pensamos querer o que achamos que precisamos para mitigar a aflição de espírito e, assim, ampliamos ainda mais o fosso que nos separa da real vontade e da plena satisfação.
Vendemos o que resta do acervo de nossos valores no mercado voraz da solução paliativa para as dores que só têm alívio com a vertigem da queda. E caímos a cada dia um tanto a mais, levando junto o que conseguimos agarrar; o espectro material daquilo que não conseguimos ver.
Mas nada nos impede de dizer "basta"!
Dará uma certa tonteira, uma sensação de desequilíbrio, mas quando a roda pára, se está de frente para o caminho. Anda-se meio cambaleante, meio inseguro, achando que se está longe do ponto de chegada. Mas tudo isso será apenas a ilusão que a viciação em andar em círculos provoca aos sentidos. O ponto de chegada fica apenas a um milímetro de distância.
Mas a quantos terá sido dada a coragem de cair e se por de pé por sua própria vontade? De reconhecer a necessidade de aceitar as mãos que se lhes estendem? A não muitos, certamente.
Para os outros existem os recursos do aprendizado pela experiência e a divina chance de repetir, repetir, repetir, repetir, repetir, repetir, repetir....
Há que se ajudar as vítimas da fraqueza e da covardia, mas sem nunca esquecer que não é oportuno assumir-lhes os carmas, inibindo suas chances de reconstrução.
E que Deus nos surpreenda com sua infinita generosidade.
Bom domingo a todos, sem exceções.
Como de sempre, amor.

16 fevereiro 2008

Pensamentos profundos, por empréstimo

"A questão é:
Certas, na verdade muitas, para ser sincero, todas as coisas não são da minha conta; não fazem parte de mim, nem caminham comigo. Então as respeito não lhes dando importância... e atravesso quando elas passam. Deixá-las livres é ignorá-las por completo — evito pra elas e pra mim o conflito. Não existindo conflitos no meu caminho, posso dizer que acho que caminho igualmente livre."
Leo Xisto (reflexões achadas entre poesias)

15 fevereiro 2008

Fernando, pessoas! Mas antes que a semana acabe, prometo novidades

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Fernando Pessoa)
Beijos e muita paz.

11 fevereiro 2008

Divagando...apenas divagando.

Sobre anjos e ilusões (reedição)

Quem poderá nesta terra ter pisado sem sentir por todo o corpo o calor que vem do chão? Quem poderá neste rio ter entrado sem ter o corpo absorvido por vontade e própria decisão? Quem, em sã consciência, terá resistido aos desvios, aos atalhos, às margens oferecidos pela paixão... quem? Quem poderá dizer que passou por esta terra sem ter sucumbido, ao menos uma vez? Os anjos, talvez os anjos. Eles não sabem o que é ilusão.

10 fevereiro 2008

Quando o Rio era feliz e não sabia...


Coincidências são elegâncias da providência divina

Um amigo me enviou hoje esse poema do Vinícius de Moraes. É lindo e chegou na hora certa. Acho que o mundo anda padecendo de uma certa carência do sentimento de amizade. Acho que esquecemos o que é ser amigo — ou pelo menos como ser amigo. E não vai aí nenhuma crítica a quem quer que seja. Qualquer semelhança é mera coincidência, juro.
Pro-Procura-se um amigo

Procura-se um amigo.

Não precisa ser homem,

basta ser humano,

basta ter sentimento,

basta ter coração.

Precisa saber falar e calar,

sobretudo saber ouvir

o que as palavras não dizem.

Tem que gostar de poesia,

de madrugada, de pássaros,

das estrelas, do sol, da lua,

do canto dos ventos

e das canções da brisa.

Deve ter amor,

um grande amor por alguém,

ou então sentir falta de não ter esse amor.

Deve amar o próximo e respeitar a dor

que os passantes levam consigo.

Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão,

nem é imprescindível que seja de segunda mão.

Pode já ter sido enganado,

pois todos os amigos são enganados.

Não é preciso que seja puro,

nem que seja de todo impuro,

mas não deve ser vulgar.

Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e,

no caso de assim não ser,

deve sentir o grande vácuo que isso deixa.

Tem de ter ressonâncias humanas,

seu principal objetivo deve ser o de amigo.

Deve sentir pena das pessoas tristes

e compreender o imenso vazio dos solitários.

Deve gostar de crianças

e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos,

que se comova quando chamado de amigo.

Que saiba conversar de coisas simples,

de orvalhos, de grandes chuvas

e das recordações da infância.

Preciso de um amigo para não enlouquecer,

para contar o que vi de belo

e triste durante o dia,

dos anseios e das realizações,

dos sonhos e da realidade.

Deve gostar de ruas desertas,

de poças d´água e de caminhos molhados,

de beira de estrada, de mato depois da chuva,

de se deitar no capim.

Preciso de um amigo que diga que vale a pena viver,

não porque a vida é bela,

mas porque já tenho um amigo.

Preciso de um amigo para parar de chorar.

Para não viver debruçado no passado

em busca de memórias perdidas.

Que bata nos ombros sorrindo e chorando,

mas que me chame de amigo,

para que eu tenha a consciência de que ainda vivo.

(Vinícius de Moraes)

09 fevereiro 2008

Ops...!!!!

"Tudo o que somos é resultado do que pensamos. A mente é tudo. Nós nos tornamos aquilo que pensamos."
Buda
(Em física quântica, fala-se em "domínio da mente sobre a matéria", mas é a mesma coisa. Interessante... e assustador, não?Take care of your mind.)

08 fevereiro 2008

Isso é Nietzsche... Ecce Homo

"É própria em mim uma sensibilidade completa e sinistra do instinto de limpeza, de modo que eu percebo fisicamente — farejo — a proximidade ou — o que estou dizendo? — as partes mais internas, as "entranhas" de todas as almas... Eu tenho antenas psicológicas nessa sensibilidade, com as quais apalpo todos os segredos, me apossando deles: a imensa sujeira escondida no fundo de algumas naturezas, talvez condicionada pelo sangue ruim, mas caiada pela educação, eu já percebo quase ao primeiro toque. Se é que observei corretamente, essas naturezas insuportáveis ao meu asseio sentem — elas também — as precauções do meu asco: mas nem por isso passam a cheirar melhor..."

07 fevereiro 2008

Da categoria das provocações - I

"Perguntar abre a porta para o caos, o desconhecido e o imprevisível. No momento em que fazemos uma pergunta cuja resposta desconhecemos, despertamos para todas as possibilidades. Estamos prontos para receber uma resposta de que não gostamos ou com a qual não concordamos? E se a resposta nos deixar desconfortáveis ou nos tirar da área de segurança que construímos para nós mesmos? E se a resposta não for o que desejamos ouvir? Para fazer uma pergunta não é preciso força; é preciso coragem." (F. A. Wolf)

E o que seria uma grande pergunta? Uma grande pergunta seria algo capaz de mudar o rumo da vida. Mas a maioria de nós prefere a zona de conforto do que sabemos, ou do que pensamos saber. Like an ostrich.
Não é garantido que encontraremos as respostas que procuramos ao fazer perguntas; mas o importante é fazermos as perguntas certas. As perguntas são como um portal para as mudanças.
Segundo Wolf, Einstein considerava que uma das definições de insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente, esperando chegar a um resultado diferente. Essa foi grave! Mas só para finalizar: está em
What the Bleep do We Know. Uma entidade chamada Ramtha, que teria viviado há 35 mil anos, disse em uma de suas "incorporações" que "todas as coisas importantes são realizadas com o coração despreocupado!". Quem não sabe por onde começar a perguntar, está aí uma boa sugestão. Inté.