COMEMORE SEMPRE, COM FOGOS E SEM ARTIFÍCIOS,
AS PEQUENAS E AS GRANDES FELICIDADES DE TODOS
OS DIAS. COMECE FAZENDO UMA FESTA EM SUA PRÓPRIA HOMENAGEM. E ME CONVIDE QUE EU VOU!
Sobretudo, coisas relevantes. E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante. Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII
Estou de saída,
Deus, não consintas que eu seja o carrasco que sangra
as ovelhas, nem uma ovelha nas mãos dos algozes.
Ajuda-me a dizer sempre a verdade na presença dos fortes,
e jamais dizer mentiras para ganhar os aplausos dos fracos
Se me deres a fortuna, não me tires a felicidade;
se me deres a força, não me tires a sensatez;
se me for dado prosperar, não permita que eu perca a modéstia,
conservando apenas o orgulho da dignidade.
para não enxergar a traição dos adversários,
nem acusá-los com maior severidade do que a mim mesmo.
Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória,
quando bem-sucedido e nem desesperado quando sentir insucesso.
Lembra-me que a experiência de um fracasso
poderá proporcionar um progresso maior.
Faz-me sentir que o perdão é o maior índice da força,
e que a vingança é prova de fraqueza.
Se me tirares a fortuna, deixe-me a esperança.
Se me faltar a beleza da saúde, conforta-me com a graça da fé.
E quando me ferir a ingratidão e a incompreensão dos meus
semelhantes, cria em minha alma a força da desculpa e do perdão.
E finalmente Senhor, se eu Te esquecer,
te rogo mesmo assim, nunca Se esqueças de mim!
pensado à medida que ia sendo rodado, e que até o último instante nem o roteirista, nem o diretor sabiam se Ilse Lund Laszlo (Ingrid Bergman) iria embora com Richard Blane (Hamphrey Borgart) ou com Victor Laszlo (Paul Heinreid). Que maldade...Apesar dos grandes nomes que estrelavam o filme, Eco considerou que a receita de Casablanca era a de colocar na mesma tijela todos os ingredientes de aceitação já comprovada — e como eram todos os ingredientes, o resultado final se assemelhava à "igreja da Sagrada Família de Gaudí". Antoni Placid Gaudí i Cornet (1852-1926) era um arquiteto ligado às novas concepções plásticas do modernismo catalão; um dos seus trabalhos mais conhecidos é a igreja a que se refere Umberto Eco. A Catedral da Sagrada Família começou a ser construída quando Gaudí tinha 31 anos e se prolongou por mais 40 anos, até o fim da vida dele. A Catedral fica em Barcelona e ainda não está pronta; a previsão é de que a primeira parte construída já terá que ser restaurada quando todo o trabalho estiver terminado, em 2025. Pela foto se pode ter uma idéia do projeto "alucinatório" de Gaudí a que Eco comparou Casablanca. Ele diz que ao se entrar na catedral, fica-se com vertigem e esbarra-se na genialidade. Que coisa... em Casablanca, então, teríamos vertigens em contato com tantas proposições das mesmices emocionais a que todos estamos expostos, não importando nossas dessemelhanças; e assim esbarraríamos na "genialidade". Também acho que o estado de amor nos aproxima das nossas melhores possibilidades, mas a paixão não. Gaudí era apaixonado pelo projeto da catedral...inacabada, excessiva, esquisita. Os ingredientes que o diretor Michael Curtiz colocou no filme podem ter construído uma história assim estranha, como a catedral, mas quando todos os arquétipos irrompem sem decência, "são atingidas profundidades homéricas"! E lá estavam o amor infeliz, a fuga, a Terra Prometida (EUA, ora!), a espera, a chave mágica (passaporte e visto), o dinheiro e o dom, que Rick faz do seu desejo, sacrificando-se. No filme, todos aqueles que têm paixões impuras fracassam, é verdade. E triunfa o arquétipo da pureza. Mas os impuros se redimem através do sacrifício. O mito do sacrifício, segundo Eco, atravessa o filme inteiro: quando Ilse, em Paris, abandona o homem amado para voltar ao herói ferido; o sacrifício da esposa búlgara para ajudar o marido; Victor, que prefere perder Ilse para Rick, contanto que ela fosse salva. Eco chama isso de orgia de arquétipos sacrificiais. E justamente por essa mistura de fórmulas já testadas pelo cinema e aprovadas pelo público, e que dizem respeito a parcelas da intertextualidade das emoções humanas, é que Casablanca fez e ainda faz tanto sucesso. E Eco conclui dizendo que dois clichês provocam o riso, mas cem clichês comovem. E vale transcrever o parágrafo final do artigo cujo nome é "Casablanca ou o renascimento dos deuses", publicado em 1975: "Como o cúmulo da dor encontra a volúpia e o cúmulo da perversão beira a energia mística, o cúmulo da banalidade deixa entrever uma suspeita sublime. Algo falou no lugar do diretor. O fenômeno é digno pelo menos de veneração". Bom, data venia, ele acabou com o diretor, certo? Mas que tal testar se os velhos clichês ainda comovem nossos corações? Aí embaixo, a famosa música tema do amor sacrificial entre Rick e Ilse e que Sam canta maravilhosamente ao piano... "As time goes by"... a kiss is just a kiss...la la la la la....
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