Sobretudo, coisas relevantes. E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante. Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII
27 dezembro 2007
25 dezembro 2007
Casablanca segundo Umberto Eco
"Esteticamente falando, um filme modestíssimo" — foi o que vaticinou um dos mais conceituados teóricos da Comunicação, o italiano Umberto Eco, em artigo no jornal L'Espresso, em 1975, quando o filme era visto e revisto por jovens universitários e quarentões que acreditavam no amor apaixonado, capaz de sofrer e ainda assim sobreviver como fênix cena sim, cena não. Apesar da crítica rigorosa, Eco admitiu que o filme estrelado por Hamphrey Bogart e Ingrid Bergman era encantador. Encantador, mas "revista, pastiche, onde a verossimilhança psicológica é muito frágil e as reviravoltas concatenam-se sem razões aceitáveis". E qual o segredo do sucesso daquele filme, de1942? Antes de concluir da forma como somente os teóricos da Comunicação se dão ao direito, Eco entrega sem piedade todo o making off do filme: diz ele que o filme foi
pensado à medida que ia sendo rodado, e que até o último instante nem o roteirista, nem o diretor sabiam se Ilse Lund Laszlo (Ingrid Bergman) iria embora com Richard Blane (Hamphrey Borgart) ou com Victor Laszlo (Paul Heinreid). Que maldade...Apesar dos grandes nomes que estrelavam o filme, Eco considerou que a receita de Casablanca era a de colocar na mesma tijela todos os ingredientes de aceitação já comprovada — e como eram todos os ingredientes, o resultado final se assemelhava à "igreja da Sagrada Família de Gaudí". Antoni Placid Gaudí i Cornet (1852-1926) era um arquiteto ligado às novas concepções plásticas do modernismo catalão; um dos seus trabalhos mais conhecidos é a igreja a que se refere Umberto Eco. A Catedral da Sagrada Família começou a ser construída quando Gaudí tinha 31 anos e se prolongou por mais 40 anos, até o fim da vida dele. A Catedral fica em Barcelona e ainda não está pronta; a previsão é de que a primeira parte construída já terá que ser restaurada quando todo o trabalho estiver terminado, em 2025. Pela foto se pode ter uma idéia do projeto "alucinatório" de Gaudí a que Eco comparou Casablanca. Ele diz que ao se entrar na catedral, fica-se com vertigem e esbarra-se na genialidade. Que coisa... em Casablanca, então, teríamos vertigens em contato com tantas proposições das mesmices emocionais a que todos estamos expostos, não importando nossas dessemelhanças; e assim esbarraríamos na "genialidade". Também acho que o estado de amor nos aproxima das nossas melhores possibilidades, mas a paixão não. Gaudí era apaixonado pelo projeto da catedral...inacabada, excessiva, esquisita. Os ingredientes que o diretor Michael Curtiz colocou no filme podem ter construído uma história assim estranha, como a catedral, mas quando todos os arquétipos irrompem sem decência, "são atingidas profundidades homéricas"! E lá estavam o amor infeliz, a fuga, a Terra Prometida (EUA, ora!), a espera, a chave mágica (passaporte e visto), o dinheiro e o dom, que Rick faz do seu desejo, sacrificando-se. No filme, todos aqueles que têm paixões impuras fracassam, é verdade. E triunfa o arquétipo da pureza. Mas os impuros se redimem através do sacrifício. O mito do sacrifício, segundo Eco, atravessa o filme inteiro: quando Ilse, em Paris, abandona o homem amado para voltar ao herói ferido; o sacrifício da esposa búlgara para ajudar o marido; Victor, que prefere perder Ilse para Rick, contanto que ela fosse salva. Eco chama isso de orgia de arquétipos sacrificiais. E justamente por essa mistura de fórmulas já testadas pelo cinema e aprovadas pelo público, e que dizem respeito a parcelas da intertextualidade das emoções humanas, é que Casablanca fez e ainda faz tanto sucesso. E Eco conclui dizendo que dois clichês provocam o riso, mas cem clichês comovem. E vale transcrever o parágrafo final do artigo cujo nome é "Casablanca ou o renascimento dos deuses", publicado em 1975: "Como o cúmulo da dor encontra a volúpia e o cúmulo da perversão beira a energia mística, o cúmulo da banalidade deixa entrever uma suspeita sublime. Algo falou no lugar do diretor. O fenômeno é digno pelo menos de veneração". Bom, data venia, ele acabou com o diretor, certo? Mas que tal testar se os velhos clichês ainda comovem nossos corações? Aí embaixo, a famosa música tema do amor sacrificial entre Rick e Ilse e que Sam canta maravilhosamente ao piano... "As time goes by"... a kiss is just a kiss...la la la la la....
E boa semana a todos!!!!
pensado à medida que ia sendo rodado, e que até o último instante nem o roteirista, nem o diretor sabiam se Ilse Lund Laszlo (Ingrid Bergman) iria embora com Richard Blane (Hamphrey Borgart) ou com Victor Laszlo (Paul Heinreid). Que maldade...Apesar dos grandes nomes que estrelavam o filme, Eco considerou que a receita de Casablanca era a de colocar na mesma tijela todos os ingredientes de aceitação já comprovada — e como eram todos os ingredientes, o resultado final se assemelhava à "igreja da Sagrada Família de Gaudí". Antoni Placid Gaudí i Cornet (1852-1926) era um arquiteto ligado às novas concepções plásticas do modernismo catalão; um dos seus trabalhos mais conhecidos é a igreja a que se refere Umberto Eco. A Catedral da Sagrada Família começou a ser construída quando Gaudí tinha 31 anos e se prolongou por mais 40 anos, até o fim da vida dele. A Catedral fica em Barcelona e ainda não está pronta; a previsão é de que a primeira parte construída já terá que ser restaurada quando todo o trabalho estiver terminado, em 2025. Pela foto se pode ter uma idéia do projeto "alucinatório" de Gaudí a que Eco comparou Casablanca. Ele diz que ao se entrar na catedral, fica-se com vertigem e esbarra-se na genialidade. Que coisa... em Casablanca, então, teríamos vertigens em contato com tantas proposições das mesmices emocionais a que todos estamos expostos, não importando nossas dessemelhanças; e assim esbarraríamos na "genialidade". Também acho que o estado de amor nos aproxima das nossas melhores possibilidades, mas a paixão não. Gaudí era apaixonado pelo projeto da catedral...inacabada, excessiva, esquisita. Os ingredientes que o diretor Michael Curtiz colocou no filme podem ter construído uma história assim estranha, como a catedral, mas quando todos os arquétipos irrompem sem decência, "são atingidas profundidades homéricas"! E lá estavam o amor infeliz, a fuga, a Terra Prometida (EUA, ora!), a espera, a chave mágica (passaporte e visto), o dinheiro e o dom, que Rick faz do seu desejo, sacrificando-se. No filme, todos aqueles que têm paixões impuras fracassam, é verdade. E triunfa o arquétipo da pureza. Mas os impuros se redimem através do sacrifício. O mito do sacrifício, segundo Eco, atravessa o filme inteiro: quando Ilse, em Paris, abandona o homem amado para voltar ao herói ferido; o sacrifício da esposa búlgara para ajudar o marido; Victor, que prefere perder Ilse para Rick, contanto que ela fosse salva. Eco chama isso de orgia de arquétipos sacrificiais. E justamente por essa mistura de fórmulas já testadas pelo cinema e aprovadas pelo público, e que dizem respeito a parcelas da intertextualidade das emoções humanas, é que Casablanca fez e ainda faz tanto sucesso. E Eco conclui dizendo que dois clichês provocam o riso, mas cem clichês comovem. E vale transcrever o parágrafo final do artigo cujo nome é "Casablanca ou o renascimento dos deuses", publicado em 1975: "Como o cúmulo da dor encontra a volúpia e o cúmulo da perversão beira a energia mística, o cúmulo da banalidade deixa entrever uma suspeita sublime. Algo falou no lugar do diretor. O fenômeno é digno pelo menos de veneração". Bom, data venia, ele acabou com o diretor, certo? Mas que tal testar se os velhos clichês ainda comovem nossos corações? Aí embaixo, a famosa música tema do amor sacrificial entre Rick e Ilse e que Sam canta maravilhosamente ao piano... "As time goes by"... a kiss is just a kiss...la la la la la....E boa semana a todos!!!!
24 dezembro 2007
FELIZ NATAL!!!!!!!!!!!
O GRANDE SERVIDOR "Sim, estou entre vós como quem serve" Jesus (Lucas 22:27)
"Sim, o Cristo não passou entre os homens como quem impõe.
Nem como quem determina.
Nem como quem governa.
Nem como quem manda.
Caminhou na Terra à feição do servidor.
Legou-nos o Evangelho da Vida, escrevendo a epopéia no coração das criaturas.
Mestre, tomou o próprio coração para sua cátedra.
Enviado Celestial, não se detém num trono terrestre e aproxima-se da multidão para auxiliá-la.
Fundador de Boa Nova, não se limita a tecer-lhe a coroa com palavras estudadas, mas estende-a e consolida-lhe os valores com as próprias mãos.
A prática é o seu modo de convencer.
O próprio sacrifício é o seu método de transformar.
Aprendamos com o Divino Mestre a ciência da renovação pelo bem. E modificar a nós mesmos para a vitória do bem, elevando pessoas e melhorando situações, é servir sempre como quem sabe que fazer é o melhor processo de aconselhar.
Emmanuel
Psicografada por Francisco Cândido Xavier
(Imagem: Emmanuel)
Neste dia em que se comemora o nascimento daquela amada criança, não esqueçamos a dor da mulher que lhe foi mãe.
23 dezembro 2007
21 dezembro 2007
Texto copiado do blog do Roberto...Nietzsche...lindo
Eu só poderia acreditar num deus que soubesse dançar.E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene.
Era o espírito da gravidade, ele é que faz cair as coisas.Não é com ira, mas com riso que se mata.
Coragem! Vamos matar o espírito da gravidade!
Eu aprendi a andar. Coragem! Vamos matar o espírito da gravidade!
Desde então, passei por mim mesmo a correr.
Eu aprendi a voar.
Eu aprendi a voar.
Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar.
Agora sou leve, agora vôo, agora vejo abaixo de mim mesmo.Agora um deus dança em mim.
Assim falava Zaratustra.
Assim falava Zaratustra.
Imagem: Rudolf Nureyev
Trecho de "Assim Falava Zaratustra", de Nietzsche.
Blog do Roberto Ferreira: www.luznagaleria.blogspot.com
Blog do Roberto Ferreira: www.luznagaleria.blogspot.com
Neruda para nosotros
No te amo como si fueras rosa de sal, topacioo flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.
Te amo como la planta que no florece y lleva
dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.
Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,
sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.
(Pablo Neruda)
"Que não seja imortal, posto que é chama/Mas que seja infinito enquanto dure."
(Vinicius de Moraes)
19 dezembro 2007
Glauber era baiano, Pernambuco
Glauber Rocha não nasceu em Pernambuco, como eu erradamente falei (e escrevi), ao comparar a voz e o jeito polêmico e irreverente de um amigo com o comportamento genial do cineasta. Glauber nasceu em Vitória da Conquista, na Bahia. E a correção veio por fonte autorizadíssima - o Jornal da ABI, em sua edição de número 322. A matéria é assinada por José Reinaldo Marques e fala sobre a produção de Glauber como crítico de cinema e artes para diversos jornais, entre eles o antigo JB. A coletânea de artigos já está disponível para o público no Tempo Glauber. Foi um trabalho de garimpagem feito por D. Lúcia Mendes de Andrade Rocha, mãe de Glauber, ao longo de dois anos, e inclui também as primeiras incursões do cineasta pelo texto e literatura.DESEJO
(Glauber Rocha)
(Glauber Rocha)
O Tempo Glauber fica na Rua Sorocaba, 190, em Botafogo - 2527-2272
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