
"O real da linguagem - o discreto, o um - encontra sua contraparte no silêncio", quem diz isso é Enni Orlandi, que estudou as formas do silêncio e denunciou aí uma profusão de sentidos. E ela diz, ainda, que "em condições dadas, fala-se para não dizer". Trabalhou sobre discursos e silêncios explícitos com a maestria que se espera dos detentores de Currículos Lattes. E disse a doutora que o silêncio não é da ordem do implícito, não se deixa ler nas entrelinhas, não fala, apenas significa. Tratava ela de censura, discursos jornalísticos e que tais. Mas diminuamos o foco até chegar a nós mesmos: o que é o silêncio senão o medo? Medo do confrontar-se com seus próprios possíveis - às vezes desejos inadmissíveis, quase sempre prévia auto-censura,geralmente covardia inata. O que são nossas palavras em comparação com nossos grandiloqüentes silêncios? Como deve ser interessante o texto que não dissemos; como devem ser importantes as palavras que omitimos; como devem ser belos os poéticos amores que não traduzimos, as coisas mudas de cada um...
(Imagem: Rodin, sobre os humanos)



