
GRAÚNA — ave da caatinga e eterna crítica do Sul maravilha.
Henrique de Souza Filho, o Henfil.
Sobretudo, coisas relevantes. E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante. Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII
A sangrenta tragédia dos Átridas, que se manteve durante gerações e gerações, teve início com um ato de Egisto. E Zeus, como um juiz olímpico enfastiado, pensou: "Estranho, como se queixam dos deuses os mortais!
Apenas de nós vêm seus males, acreditam;
Mas são eles que por insensatez, e mesmo contra o destino
causam o infortúnio."
Não, nunca fiz mal a ninguém.. pelo menos não conscientemente. Mas o mal que fazemos sem a consicência do mal — ou pelo menos sem a intenção de que o ato desabe sobre outro como uma catástrofe — esse não é mal, porque lhe falta o prazer da desdita, da tragédia e da vingança. Não, não sou eu quem diz isso, porque já confessei que nunca quis o mal de quem quer que fosse, e talvez, por isso, tenha me divertido tão pouco. Explico os dois últimos pensamentos de uma só vez : quem diz isso é Nietzche, respeitável e corajoso louco de quem não se pode negar a razão. Pois ele diz que o maior dos gozos é o prazer de ver a dor do outro pelo que o nosso ato pode realizar. Relação que ultrapassa a mera necessidade de confirmação de poder, embora aí também se possa dizer que o desejo de poder está. Nietzsche diz isso em Genealogia da Moral, com exemplos que atravessam os séculos até chegar à civilização da barbárie. Quanto a mim, que ao entrar no Coliseu de Roma congelei a alma — era tristeza sem dor, sem piedade, sem alegria, sem alívio, sem nada —, acho que redimi minhas culpas e meus prazeres. Não era mais platéia, nem espetáculo e nem leão. Estava apenas ali como se todos os sentimentos congelassem em seus próprios tempos e permanecessem assim... sem prazer nem diversão. Hoje, sei eu quantas existência depois, digo que não desejo o mal a ninguém e que não me compraz o ato. E talvez seja mesmo por isso que me divirto tão pouco. Se o prazer da humanidade está no mal que se faz por vilania ou leviandade, que me bastem os prazeres suaves dos amores mansos, das almas leves, com cara de domingo à tarde até segunda de manhã, espreguiçando entre travesseiros e lençois perfumados até o susto de se perceber que se perdeu a hora... mas acho que isso não faz mal a ninguém.
"Produto da neutralização das relações práticas nas quais funciona, a palavra que serve para tudo encontrada no dicionário não tem nenhuma existência social: na prática, ela só existe imersa em situações, a ponto de o núcleo de sentido que se mantém relativamente invariável através da diversidade dos merca...." bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...
Quem há de se lembrar daquela criança tão linda de olhos azuis? Amadureceram os olhos, ficaram verdes, como a alma que caminha em sentido inverso.
Sorriso tão franco, de quem não conhece mesmo a vida.. tão linda aquela criança..
Cresceu, como não se esperava que conseguisse, apesar da vida.
Virou mulher, tão linda que nem ela mesma se dá conta de ser.
Cresceu para todos os lados – mulher, deusa, tudo o que a poesia permite ser.
Essa é ela ... mulher encantada, que quando fala derrama ouro e sonho por onde quer.
Abusa das palavras, como se perfumasse seu hálito com elas.
Ama a todos como se fossem seus, como se fosse sua única responsabilidade amar.
Como ama essa mulher!
Essa mulher anda nas nuvens, passeia com os anjos, fala com Deus, já dormiu com Zeus
– não um Zeus vulgar, mas aquele que cobrou de Prometeu a fidelidade que ele trocou pela sabedoria tosca da humanidade;
depois disso, dormiu com Prometeu, porque sabe que tem direito de liberdade...
e que a mais justa das liberdades é rever o caminho e escolher a direção contrária.
Essa mulher sabe do amor que habita os seres apesar de suas imperfeições,
Que mulher é essa?
Feliz de quem desvendar essa mulher tão densa.
Te amo, Hanna!
Jorge Otávio
Em tempo: Jorge é o pai; Otávio, o avô... Jorge Otávio, uma invenção.