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13 novembro 2007

Dos prazeres e da dor

Não, nunca fiz mal a ninguém.. pelo menos não conscientemente. Mas o mal que fazemos sem a consicência do mal — ou pelo menos sem a intenção de que o ato desabe sobre outro como uma catástrofe — esse não é mal, porque lhe falta o prazer da desdita, da tragédia e da vingança. Não, não sou eu quem diz isso, porque já confessei que nunca quis o mal de quem quer que fosse, e talvez, por isso, tenha me divertido tão pouco. Explico os dois últimos pensamentos de uma só vez : quem diz isso é Nietzche, respeitável e corajoso louco de quem não se pode negar a razão. Pois ele diz que o maior dos gozos é o prazer de ver a dor do outro pelo que o nosso ato pode realizar. Relação que ultrapassa a mera necessidade de confirmação de poder, embora aí também se possa dizer que o desejo de poder está. Nietzsche diz isso em Genealogia da Moral, com exemplos que atravessam os séculos até chegar à civilização da barbárie. Quanto a mim, que ao entrar no Coliseu de Roma congelei a alma — era tristeza sem dor, sem piedade, sem alegria, sem alívio, sem nada —, acho que redimi minhas culpas e meus prazeres. Não era mais platéia, nem espetáculo e nem leão. Estava apenas ali como se todos os sentimentos congelassem em seus próprios tempos e permanecessem assim... sem prazer nem diversão. Hoje, sei eu quantas existência depois, digo que não desejo o mal a ninguém e que não me compraz o ato. E talvez seja mesmo por isso que me divirto tão pouco. Se o prazer da humanidade está no mal que se faz por vilania ou leviandade, que me bastem os prazeres suaves dos amores mansos, das almas leves, com cara de domingo à tarde até segunda de manhã, espreguiçando entre travesseiros e lençois perfumados até o susto de se perceber que se perdeu a hora... mas acho que isso não faz mal a ninguém.
A ilustração é de Henri Matisse.

11 novembro 2007

Totalmente abduzida por um livro

"Produto da neutralização das relações práticas nas quais funciona, a palavra que serve para tudo encontrada no dicionário não tem nenhuma existência social: na prática, ela só existe imersa em situações, a ponto de o núcleo de sentido que se mantém relativamente invariável através da diversidade dos merca...." bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...
Pierre Bourdieu

Os bla, bla blas são meus.

A propósito...

".. talvez nada exista de mais terrível e inquietante na pré-história do homem do que sua mnemotécnica. 'Grava-se algo a fogo, para que fique na memória: apenas o que não cessa de causar dor fica na memória' — eis um axioma da mais antiga (e infelizmente mais duradoura) psicologia da terra.
Nietzsche, de novo... e os grifos são dele.

Questões impertinentes II

"Ah, a razão, a seriedade, o domínio sobre os afetos, toda essa coisa sombria que se chama reflexão, todos esses privilégios e adereços do homem: como foi alto seu preço! Quanto sangue e quanto horror há no fundo de todas as "coisas boas"!..."
Essa é de Nietzsche... aquele doido!

10 novembro 2007

Questões impertinentes I

O ódio e a repulsa têm como contraface o amor e o desejo. O ódio invade o amor com fúria e provoca a metástase que destrói voraz para muito além do que devia... irrompe na alma e convida a morte lenta para o banquete de restos. Mas a repulsa, essa é frágil como uma sombra que se alimenta de um facho trêmulo de luz. Apaga-se a cena, acende-se a lembrança, o palco se ilumina. Cai o pano liso aos pés suaves da memória... e está lá, irremediavelmente, está lá... o corpo nu do mais puro desejo.

09 novembro 2007

De um poeta que me ama... e me quer sempre feliz

Quem há de se lembrar daquela criança tão linda de olhos azuis?

Amadureceram os olhos, ficaram verdes, como a alma que caminha em sentido inverso.

Sorriso tão franco, de quem não conhece mesmo a vida.. tão linda aquela criança..

Cresceu, como não se esperava que conseguisse, apesar da vida.

Virou mulher, tão linda que nem ela mesma se dá conta de ser.

Cresceu para todos os lados – mulher, deusa, tudo o que a poesia permite ser.

Essa é ela ... mulher encantada, que quando fala derrama ouro e sonho por onde quer.

Abusa das palavras, como se perfumasse seu hálito com elas.

Ama a todos como se fossem seus, como se fosse sua única responsabilidade amar.

Como ama essa mulher!

Essa mulher anda nas nuvens, passeia com os anjos, fala com Deus, já dormiu com Zeus

– não um Zeus vulgar, mas aquele que cobrou de Prometeu a fidelidade que ele trocou pela sabedoria tosca da humanidade;

depois disso, dormiu com Prometeu, porque sabe que tem direito de liberdade...

e que a mais justa das liberdades é rever o caminho e escolher a direção contrária.

Essa mulher sabe do amor que habita os seres apesar de suas imperfeições,

Porque sabe das imperfeições.

Que mulher é essa?

Feliz de quem desvendar essa mulher tão densa.

Te amo, Hanna!

De mim, que te quero com o amor perfeito.

Jorge Otávio

Em tempo: Jorge é o pai; Otávio, o avô... Jorge Otávio, uma invenção.

08 novembro 2007

Questões irrelevantes III

Se eu contar, ninguém vai acreditar... e ainda vão dizer que sou mentirosa! Contar pra quê? Tudo o que é reportado vira mesmo versão... então, que cada um fique com a sua. Mas eu conheço o fato...

Questões irrelevantes II

Haverá desconto para quem faz o errado pelo motivo certo?

Questões irrelevantes I

Pode-se computar como crédito o certo que se faz pelo motivo errado?