Sobretudo, coisas relevantes. E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante. Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII
29 outubro 2007
Dos que exigem muito
28 outubro 2007
22 outubro 2007
Explicitudes III
20 outubro 2007
Mário Quintana para todos
(Mário Quintana com Salvador Dalí - Persistência da Memória- 1931)As coisas que não conseguem serolvidadas continuam acontecendo.Sentimo-las como da primeira vez,sentimo-las fora do tempo,nesse mundo do sempre onde asexistem lápides... Que importa se —depois de tudo — tenha "ele" partido, casado, mudado, sumido, esquecido,enganado, ou o que quer que te hajafeito, em suma? Tiveste uma parte dasua vida que foi só tua e, esta, "ele"jamais a poderá passar de ti para ninguém.Há bens inalienáveis, há certos momentos que,ao contrário do que pensas,fazem parte de tua vida presentee não do teu passado.
E abrem-se no teusorriso mesmo quando,
deslembrando deles,estiveres sorrindo a outras coisas.Ah, nem queiras saber o quantodeves à ingrata criatura...A thing of beauty is a joy for ever— disse, há cento e muitos anos, um poetainglês que não conseguiu morrer.
Nota da blogger: O poeta inglês citado por Mário Quintana é John Keats.
18 outubro 2007
Explicitudes - II
(Homenagem ao profeta Gentileza, um do melhores loucos que essa existência já teve a honra de abrigar)Tive um amigo muito louco... com uma voz de Zeus ameaçando Prometeu. Um comportamento totalmente glauberiano, aprendido na mesma terra, Pernambuco. O texto dele, pode-se dizer que é de um Nietzsche sem acabamento, sem paciência, mas com uma certa dose de filosofia e estilo. Quem já não teve um amigo louco na vida? E o pior é que os loucos deixam saudades... Estava pensando nele e em seu texto e quase morri de rir – os loucos geralmente fazem cócegas na pretensão da sanidade. Fiquei imaginando como ele falaria sobre algo que me ocorria ao pensamento naquela hora. Seria mais ou menos assim:
“Se trepar, fodeu! O ser humano é o bicho mais leso que tem na face da terra. Trepa porque está no cio, mas não tem a menor educação. Quer trepar até morrer... Em vez de procriar logo, que é pra o que a coisa também serve, não... antes de procriar quer casar, crente que vai continuar trepando igual pro resto da vida.... Quer ter uma fêmea só pra si, mas continua disputando as dos outros... ô, bicho leso!!!!!
E esse amigo adora casar! Já deve estar lá pelo terceiro casamento.. quem sabe já no terceiro filho...também adora procriar... Ô, bicho leso!!!!!
Explicitudes - I
Que importância tem a importância que não nos dão? Se precisamos tanto dela é porque não sabemos, nós mesmos, se a temos ou não. Também não tem a menor importância a importância que os outros nos dão. O que fazer com isso, além de estagnar nosso sentido nas almofadas fofas da vaidade? Importância, na verdade, não tem a menor importância...
O que fizeram com esses pobres meninos...
Por tanto amor, quiseram lhes dar a hegemonia no mundo, ou apenas certificá-los de que esta lhes pertencia por direito e herança divina. O que sabem os deuses que habitam as fantasias humanas sobre os destinos que o mundo real reserva aos homens? Sofrem hoje, seus meninos, as dores de verem seus reinados destruídos. Que sabemos nós das demasias dos tempos, das águas que correm pelos rios, das lágrimas que nos desafiam a ser nós mesmos? Mas o fato é que os lugares se deslocaram, e a ruína dos sentidos arraigados começou a se apresentar. O que sou eu diante de ti, que sempre fui por ti o que de melhor tivestes? O que sou eu diante de mim que diante de mim nunca precisei perguntar? Que lugares são esses tão ermos e tão estranhos onde estamos agora diante um do outro e onde efetivamente somos? Quem é você e quem sou eu diante da vida que seguiu seu curso e nos trouxe até aqui? Não somos mais o que éramos e não sabemos mais o que ser. Por que ainda não sabemos como ser diante do novo que ainda não nos ensinou a viver. Estrada nova, diante de memória longa onde tudo era dado e conhecido, sem mistérios, sem temor, por mais que sofrido. Agora, é uma espécie de nada onde tudo se iguala. Mas o que fazer da memória retida, onde eu era maior que tu? O que fazer do todo aprendido, onde esperavas por mim? E eu agora que já não sei como chegar a ti? Que destino cruel o que nos ensina a viver... Que destino cruel o que nos desatina para deixar viver. E o que fazemos nós, os que tivemos a facilidade de errar, errar sem ter que aprender? A vida é rude no seu sentido perene. Não apenas para os que estão acostumados às suas migalhas, mas também para aqueles que sempre viveram de suas regalias. O lugar do conforto é apenas o lugar conhecido, não quer dizer que seja bom. Mas tudo muda na vida. Sobrevivem os que sabem amar a si mesmos - única forma de reaprender a reconhecer e amar o outro.

