O que mais sofremos no mundo não é a dificuldade. É o desânimo em superá-la.
Não é a provação. É o desespero diante do sofrimento.
Não é a doença. É o pavor de recebê-la.
Não é o parente infeliz. É a mágoa de tê-lo na equipe familiar.
Não é o fracasso. É a teimosia de não reconhecer os próprios erros.
Não é a ingratidão. É a incapacidade de amar sem egoísmo.
Não é a própria pequenez. É a revolta contra a superioridade dos outros.
Não é a injúria. É o orgulho ferido.
Não é a tentação. É a volúpia de experimentar-lhe os alvitres.
Não é a velhice do corpo. É a paixão pelas aparências.
Como é fácil de perceber, na solução de qualquer problema, o pior problema é a carga de aflição que criamos, desenvolvemos e sustentamos contra nós.
ALBINO TEIXEIRA
Médium: Francisco Cândido Xavier.
Sobretudo, coisas relevantes. E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante. Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII
10 maio 2012
01 maio 2012
Renascer é morrer e deixar morrer
Como podemos dizer que temos fé se nos recusamos a morrer? Uma estranha vontade de eternidade tosca nos acumula de cadáveres incorpóreos, temporais - nós mesmos diante da recusa. O que poderá viver sem antes ter morrido? A semente morre para dar lugar à planta... que morre para que o solo viva e faça viver. Morremos a cada dia, mas resistimos a deixar viver em nós o que nos sucede como vida nascente; egoística e tolamente nos furtamos a adubar nosso próprio solo - abraçamo-nos aos nossos frutos-vida na expectativa de que sejam eternos e os vemos apodrecer em nosso peito. Onde o lugar da fé, então? Sair sem olhar para trás é o que vai nos colocar de frente para o que vai nascer depois. E lá certamente estarão as vidas que plantamos sem perceber, tão empenhados estávamos em não nos deixar morrer. Onde, então, o lugar da fé?
26 abril 2012
Wagner Moura sobre o Pânico na TV
“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas
semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele
disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma
entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi
de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair
andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o
cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por
favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja,
um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi,
quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão
melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera
rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui
percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que
sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre
uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi
que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a
condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa
horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo
assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do
táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a
perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara,
cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto,
tipo assalto, em que reagir é pior.
"O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice ”
O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.
"Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência ”
Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.
No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?”
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