
Acreditem se quiserem, mas tenho leitores. Um deles me enviou um e-mail, preocupado porque eu havia "desaparecido", pois minha última postagem datava ainda do dia 26 de março. Fiquei lisonjeada, mas pouco pude fazer àquela hora, já quase uma da madrugada. Passei o dia pensando no blog, sem no entanto conseguir postar uma linha. Agora, novamente passa da meia noite e ainda não me vem qualquer coisa à imaginação. Passo e repasso imagens estanques, soslaios de vidas alheias, bisbilhotices de conversas de metrô, graças toscas de urbanidades cotidianas. Mas assim como vêm, as idéias vão e desaparecem ao dobrar a esquina do pensamento. Não viram palavras, textos, poesias, comédias, discursos. Estou em branco, diante de leitores pacientes. Na lembrança, nada além de coisas reais, acontecidas, vividas em mergulhos fundos num mar de águas claras e sol indolente. Mas amanhã acordo tarde e quem sabe trago do sonho uma história nova, inventada pela astúcia da realidade e travestida de sonho pelo gosto da ilusão. Aos meus amados leitores, uma noite repousante e um amanhecer de paz.
Foto: Angra dos Reis (Ênio Rocio)