Sobretudo, coisas relevantes.
E nada é mais relevante do que a liberdade de pensar e a coragem
de escrever. Nada é mais generoso do que compartilhar o que nos é relevante.
Sobretudo, toda e qualquer coisa. Ano VIII
Friedrich Nietzsche O que a plebe rude traduziria por "o que não mata engorda". A diferença está apenas na urgência do que a um e a outro sustente. Ou do que a um e a outro falte.
Rssss.... É claro que não existe manual para isso. Mas como reza a sabedoria popular, teria sido a necessidade que ensinou o sapo a pular e o homem a voar (acréscimo pobre, mas meu). Se é por aí e todas as coisas surgem da necessidade, então é possível inventarmos tudo — porque o que não falta é necessidade. Partindo desse princípio lógico-esotérico, resolvi inventar um oásis para os meus dias que seguem cada vez mais assoberbados (pela graça do bom Deus!). Comprei uma harmônica blues diatônica (ha... como também é bom chamar os bois pelo nome certo de batismo!). Para quem não sabe, essa arrogância toda é o nome técnico da coisinha elegante, charmosa e inspiradora que chamamos, na intimidade, de... gaita. Isso mesmo! Comprei uma gaitinha blues e resolvi fazer oásis de som no entorno do meu dia. Uma gaita posso levar na bolsa, no bolso, na mão (se tirar o celular da mão e o guardar na bolsa!). Posso tocar em qualquer lugar, se resolver correr o risco de que joguem algumas moedas aos meus pés, mesmo que seja apenas para que eu procure uma escola para aprender a tocar direito... Claro que não quero correr esse risco... Mas brincadeiras à parte, posso procurar um jardim isolado — acreditem: a cidade tem muitos —, ou ir para o alto dos prédios onde trabalho. O quê? Pensaram que quero repetir a façanha dos Beatles? Enganaram-se, meus queridos e queridas.... Vocês não sabem, mas alguns funcionários públicos de diversos credos formam grupos e vão fazer seus oásis, no meio do trabalho, naquele espaço de caixas d'água e casas de máquinas lá no alto dos prédios. Será que eles pensam que Deus fica mesmo lá no alto, no céu? Ou é apenas questão de privacidade em grupo? Mas não vem ao caso. Até o prédio da Prefeitura tem seus grupos (bela pauta, hein... inédita, ao que me conste.) Então, por que não um sonzinho sozinho e discreto? E ainda posso pensar que lá embaixo alguém especial ouviu e ficou parado olhando pro alto, assim como uma serenata ao contrário, da janela para o chão... ops! Menos, menos... Mas uma coisa quero declarar a plenos pulmões e sopros:
COMO É BOM PODER TOCAR UM INSTRUMENTOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!
Com todo respeito aos rapazes da banda Bidê ou Balde, da qual gosto muito, houve uma época em que as bandas prezavam nomes e sobrenomes. Esta que eu pesquei pra vocês chama-se Crosby, Still, Nash and Young, verdadeiros carpinteiros da musicalidade. Esta apresentação foi no incomparável festival de Woodstock. Incomparável mesmo, ou será que estou apenas sendo saudosista? Acho que não. A qualidade musical ainda rola entre as bandas novas, mas naquele passado já quase longínquo "a gente achava que podia mudar o mundo". A declaração é de Graham Nash, há pouco tempo, em 2002. E acho mesmo que é isso que faz a diferença e a qualidade do investimento poético, musical e, de certa forma, de todo e qualquer investimento na vida. Uma causa às margens do impossível; uma intenção profunda; um querer ver todos compartilharem felicidade. Poetas talvez dissessem que é isso que dá a sinceridade sem a qual a música perde a alma. Pode ser. Mas é fato que o mundo anda mal das rodas e muito pouca gente está preocupada com isso. O que nos deixa sem muitos motivos para consagrar as agradáveis músicas das bandas como Bidê ou Balde, Belle and Sebastian, The Cigarettes, Luiza Mandou um Beijo... Mas vamos ao que nos trouxe hoje aqui: Com vocês, Crosby, Still, Nash and Young!!!!!
Físicos quânticos, terapeutas, espíritas e mágicos em geral já provaram que o cérebro é preguiçoso — e eu até diria burro. Age por aproximação e coleciona situações semelhantes para não ter que sair da zona do conforto e oferecer uma nova opção, resposta ou comportamento. Basta que um sinal elétrico se apresente e ele logo abre a gaveta onde guardou respostas prontas para situações semelhantes e manda lá a mesma coisa de sempre. E assim vamos repetindo distraidamente os mesmos padrões de respostas, comportamentos e atitudes para coisas às vezes tão desemelhantes. Sim, mas entre saber e fazer existe uma longa distância. Há quem diga que quem sabe faz e quem não sabe, ensina. Talvez seja isso... muita gente ensinando o que não sabe fazer. Mas não custa tentar. Afinal, são apenas decisões... faço isso, não faço aquilo, quero isso, não quero aquilo... Um bom começo é perguntar "por quê?" para cada uma das respostas prontas. E mudar o rumo, a decisão, até que haja uma infinidade de possibilidades de resposta para se escolher. Isso, é claro, se não estivermos satisfeitos com o que temos, somos, vemos, fazemos etc. Então eu vou dar uma caminhada na praia só pra variar. Bom final de domingo e uma semana repleta de oportunidades a todos nós.