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13 novembro 2007

Zeus, a propósito do grave caso de Egisto

A sangrenta tragédia dos Átridas, que se manteve durante gerações e gerações, teve início com um ato de Egisto. E Zeus, como um juiz olímpico enfastiado, pensou:

"Estranho, como se queixam dos deuses os mortais!
Apenas de nós vêm seus males, acreditam;
Mas são eles que por insensatez, e mesmo contra o destino
causam o infortúnio."

Na mitologia grega, Egisto era filho de uma relação incestuosa de Tiestes com a própria filha, Pelópia. Atreu, irmão de Tiestes, casou-se com Pelópia sem saber que ela era sua sobrinha. Quando Egisto nasceu, Atreu aceitou-o como seu próprio filho, porém Egisto descobriu sua verdadeira identidade e, pressionado por Tiestes, matou seu pai adotivo. Ele era amante da rainha Clitemnestra; juntos, mataram o marido dela (e seu primo), Agamemnon, comandante dos exércitos gregos em guerra. Egisto pretendia matar sozinho Orestes, filho de Clitemnestra, que foi salvo por Electra, que sabia da trama toda. Egisto acabou assassinado junto com a amante por Orestes e Electra, que vingaram a morte do pai. Egisto e Clitemnestra foram pais de Erigone, que teve um filho (ilegítimo) com seu meio-irmão Orestes, chamado Pentilo.

É como dizia, a propósito de minhas pesquisas, um saudoso amigo – que deve agora estar interpelando e divertindo os deuses: “Não se engane, minha flor; as relações de poder passam todas pela cama". E falávamos apenas de Brasil..., onde aliás, as relações de poder passam pela cama e vão dar em capa de revista. Ah, as relações incestuosas da imprensa com o poder... Entendo o fastio de Zeus.

Ilustração: Egisto sendo assassinado por Orestes - Museu do Louvre

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