A realidade de cada um de nós é um sistema engendrado por nossas ações — das mais simples às mais complexas; das mais oportunas às mais nefastas. Nós fazemos o que vivemos e assim, sem perceber, acabamos construindo o que somos; depois, o que somos acaba determinando o que fazemos...As decisões nefastas nos fazem andar em círculos e nos afastam de qualquer possibilidade que nos leve ao que precisamos. Sim, a palavra é "precisar", porque a palavra "querer" supõe uma autonomia de vontade que os processos circulares não permitem. Pensamos querer o que achamos que precisamos para mitigar a aflição de espírito e, assim, ampliamos ainda mais o fosso que nos separa da real vontade e da plena satisfação.
Vendemos o que resta do acervo de nossos valores no mercado voraz da solução paliativa para as dores que só têm alívio com a vertigem da queda. E caímos a cada dia um tanto a mais, levando junto o que conseguimos agarrar; o espectro material daquilo que não conseguimos ver.
Mas nada nos impede de dizer "basta"!
Dará uma certa tonteira, uma sensação de desequilíbrio, mas quando a roda pára, se está de frente para o caminho. Anda-se meio cambaleante, meio inseguro, achando que se está longe do ponto de chegada. Mas tudo isso será apenas a ilusão que a viciação em andar em círculos provoca aos sentidos. O ponto de chegada fica apenas a um milímetro de distância.
Mas a quantos terá sido dada a coragem de cair e se por de pé por sua própria vontade? De reconhecer a necessidade de aceitar as mãos que se lhes estendem? A não muitos, certamente.
Para os outros existem os recursos do aprendizado pela experiência e a divina chance de repetir, repetir, repetir, repetir, repetir, repetir, repetir....
Há que se ajudar as vítimas da fraqueza e da covardia, mas sem nunca esquecer que não é oportuno assumir-lhes os carmas, inibindo suas chances de reconstrução.
E que Deus nos surpreenda com sua infinita generosidade.
Bom domingo a todos, sem exceções.
Como de sempre, amor.
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