Estavam ali reunidos os filhos de Prometeu. Doutores, pós-doutores nas mais diversas ciências e os "comuns mortais", desprovidos de Currículos Lattes. Tentavam repartir co
m alegria o fogo minguado da sabedoria que nos ensina, ao contrário da academia, que o saber é da ordem da humildade, do não saber, do apenas ter curiosidade. Curiosidade por tudo e não apenas pelos que nos ensinaram a aprender. Pois estavam lá sorrindo como irmãos que se encontram depois de longa data e de dolorosa tarefa, autorizados já a brincar no quintal da humanidade. Faziam arte os doutores, e compartiam entre si e entre todos a arte-brinquedo que Patrícia Borrowes trouxe com sua poesia-arte. Poeta que limpa o suor com o dorso das mãos de artista, expôs ao sol sua extensa jornada. Estava dito em quadros e telas e litogravuras. Patrícia subiu a montanha íngreme onde acredita-se residam os doutos e seus conhecimentos; feriu os pés, as mãos e descobriu a duras penas os pés de barro dos ídolos moucos. Ao chegar ao cume onde conta-se que Deus interditou Babel, a poeta desceu de novo, abanando com o vento da alma a chama que lhe cabe neste vasto mundo. E foi assim desatando os fios que unem as letras em palavras, as palavras em textos, os textos em discurso. Desceu a poeta espalhando sentidos, deitando ao mar cada um dos pedacinhos. E depois mergulhou, foi lá dentro, lá fundo, lá longe buscar a possibilidade. Submergiu com os olhos e as mãos tomados por palavras que se desmancharam em tintas e papel. Ofereceu-nos a sua busca, o seu caminho e inquietude, compartilhando com todos o calor herdado do fogo de Prometeu. Uma pena que a exposição terminou antes que eu pudesse contar aos meus poucos mas queridos leitores sobre o emocionante trabalho de Patrícia.
m alegria o fogo minguado da sabedoria que nos ensina, ao contrário da academia, que o saber é da ordem da humildade, do não saber, do apenas ter curiosidade. Curiosidade por tudo e não apenas pelos que nos ensinaram a aprender. Pois estavam lá sorrindo como irmãos que se encontram depois de longa data e de dolorosa tarefa, autorizados já a brincar no quintal da humanidade. Faziam arte os doutores, e compartiam entre si e entre todos a arte-brinquedo que Patrícia Borrowes trouxe com sua poesia-arte. Poeta que limpa o suor com o dorso das mãos de artista, expôs ao sol sua extensa jornada. Estava dito em quadros e telas e litogravuras. Patrícia subiu a montanha íngreme onde acredita-se residam os doutos e seus conhecimentos; feriu os pés, as mãos e descobriu a duras penas os pés de barro dos ídolos moucos. Ao chegar ao cume onde conta-se que Deus interditou Babel, a poeta desceu de novo, abanando com o vento da alma a chama que lhe cabe neste vasto mundo. E foi assim desatando os fios que unem as letras em palavras, as palavras em textos, os textos em discurso. Desceu a poeta espalhando sentidos, deitando ao mar cada um dos pedacinhos. E depois mergulhou, foi lá dentro, lá fundo, lá longe buscar a possibilidade. Submergiu com os olhos e as mãos tomados por palavras que se desmancharam em tintas e papel. Ofereceu-nos a sua busca, o seu caminho e inquietude, compartilhando com todos o calor herdado do fogo de Prometeu. Uma pena que a exposição terminou antes que eu pudesse contar aos meus poucos mas queridos leitores sobre o emocionante trabalho de Patrícia.
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