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27 novembro 2007

Com números, mas com afeto

Quando não tenho tempo para pensar – porque pensar toma um dia quase inteiro, saibam, mesmo que não se pense grandes coisas! – escrevo um poema, uma frase, qualquer texto tirado de outros que têm a competência que me falta. É uma espécie de diálogo com minha dezena de leitores fiéis e desconhecidos. O número se repete todos os dias – um pouquinho a mais, às vezes; mas em nem um dia um porquinho a menos! Meus leitores são o dois, feijão com arroz; o quatro, comer no prato; o seis que fala francês; o oito que come biscoito e o dez que come pastéis. Peço desculpas aos outros dois leitores restantes. As brincadeiras de criança não contavam além de dez.. assim como não falavam dos números irmãos, só dos primos; e omitiam os ímpares. Triste constatação nesta hora em que sei do que falavam os adultos. Escrevo para cada um desses números como se falasse com alguém que um dia vi; talvez até que um dia amei; talvez que jamais tenha visto e ainda queira ver; que talvez tenha amado e queira esquecer. Uma espécie de caleidoscópio de iluminadas mentiras, de encantadoras verdades, de possibilidades impossíveis – o cúmulo da dialética virtual. Nunca pensei que um dia pudesse gostar de matemática e seus insuportáveis números. Com carinho, apesar da incompetência, aos meus 12 leitores. Mas quando vocês forem centenas, esqueçam.... (risos que confirmam a mentira de alguém que prima pela fidelidade.)

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