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20 outubro 2007

Mário Quintana para todos

Uma alegria para sempre (com os devidos pedidos de desculpas)
(Mário Quintana com Salvador Dalí - Persistência da Memória- 1931)

As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre onde as
datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides... Que importa se —
depois de tudo — tenha "ele" partido, casado, mudado, sumido, esquecido,
enganado, ou o que quer que te haja
feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, "ele"
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado.
E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando,
deslembrando deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
— disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer.

Nota da blogger: O poeta inglês citado por Mário Quintana é John Keats.

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