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10 outubro 2007

Grandes viagens III

Pensava ainda em travessias, canais, viagens e sentidos. Esperava sem urgência a hora marcada, que eu nem sabia se ia chegar. Estação fortuita que traria em si a própria estrada, como se todas as possibilidades começassem ou se perdessem ali. Pensava em presente sem futuros, sem passados, desenhando cada minuto no instante exato em que eles precisassem existir. Vida sem pressa, sem tempo, quase sem vida, leve. Trama lisa e delicada a tecer a ponte, o rasgo, a fenda, abrindo mansa cortina que escondia a porta e desvendava o beijo. Como são doces os beijos... Esperava ainda com gosto pela própria espera, como quem não precisa chegar, como quem não tem nem pressa, nem mesmo espera, como se apenas estivesse lá. Atravessei as portas, as cortinas, os beijos. Corpo leve, coberto de finas nuvens e vento, tecidos com fios de sol. Atravessei a ponte que começava a existir; o canal, que as águas claras de um mar ainda por ser abria em iluminada fenda; sabia da viagem apenas o limite do agora – fronteira tênue dos sentidos entre o sonho e o real. Sabia do agora como quem havia acabado de chegar. A areia fina e morna me aqueceu os pés e todo o corpo, incitando um espreguiçar que desenhou o resto e me deixou saber. Era a Grécia... sem dúvida era a Grécia...

2 comentários:

Roberto Ferreira disse...

Linda viagem.
Uma viagem de sonho cruzando a fronteira para o real.
Que você possa repeti-la muitas vezes!

Roberto Ferreira disse...

Linda viagem.
Uma viagem de sonho cruzando a fronteira para o real.
Que você possa repeti-la muitas vezes!